Segunda-feira, 26 de Maio de 2008

Eu sinto falta pra caralho!

E não sei quem é mais egoísta, eu ou você.

(esse blog está em algo entre um recesso e um coma.)

O céu também rachou

Reflita:
O reflexo é o dobro ao contrário
o contrário é o dobro do reflexo
Reflita.

REFLITAO OK oneone!

Sábado, 24 de Maio de 2008

A Volta (por baixo)

Já fazia mais de dois anos que não passava pelo lugar onde nos despedimos pela primeira e última vez. Quando o revi, percebi que as memórias que julgava ter enterrado fundo e a salvo de qualquer saudade ainda estavam frescas, muito frescas, e lembrei de todos os gostos e sensações como se as vivesse novamente.
Mas a melancolia fria das paredes da estação de metrô me alcançou, e as lembranças me atravessaram como lanças de aço gelado, e de repente estava de novo nos dias seguintes à tristeza absoluta, frágil e desconsolado.
E percebi que não tinha, de jeito nenhum, conseguido transformar o passado em passado.

Terça-feira, 20 de Maio de 2008

Zero à esquerda

Nem as portas do shopping abriam pra ele.

Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

Estado

Quando alguma coisa é pública, a privada é bem mais suja.

Quinta-feira, 15 de Maio de 2008

Direito

A justiça é cega e não muda.

Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

Pluralidade

Todos os exércitos são de homens sós.

Domingo, 11 de Maio de 2008

A Obra-Prima do Acaso

"Nos anos 50 era tão mais fácil, mas tão mais lento", ele pensa.
Engole a seco apesar de ter acabado de tomar um drinque (só para encorajar) e pensa em mil maneiras de fazer o que está tão ansioso por fazer e que nunca fez e rápido, pare de pensar ou vai acabar desistindo.
Vira em sua direção, volta, bebe mais um gole e respira fundo (tão ansioso se encontra que nem percebe que o drinque é horrível). Olha pra ela de lado - ela está saindo de perto do balcão; já pegou sua própria bebida.
Sem pensar, atônito por percebê-la se afastando, ele sutilmente a aborda.
"'cença, que bebida é essa?"
É, ninguém disse que nosso herói é um gênio na arte da aproximação.
Mas, por Deus, ela responde gentilmente com o nome, e o oferece! Será que está bêbada, tão cedo?
"Hum, é mesmo bom. O que eu peguei é horrível" (era verdade, claro, mas ele falou só por falar) "Eu conheço esse gosto, que fruta é essa?"
Ela se impressiona com a idiotice do comentário e à ausência de paladar do nosso pobre personagem, falho em reconhecer o gosto de uva (vinho).
Mas, por alguma sorte impressionante, hoje é o dia do nosso herói! Ela desconta a evidente falta de tato dele, ignora sua pouca idade e com ele conversa até o fim da noite.
Encantado por alguém assim tão especial, nosso miserável representado esquece-se de tudo, por maravilhosas horas.
No fim da noite, desmancha-se em despedidas e ausências, e, exceto pelas lembranças, espalha-se em sofrimento.

Sábado, 10 de Maio de 2008

Declaração do Desapego

Eu te amei por tanto tempo que achei que não podia mais queimar.
Aquela paixão - lembra, aquela que rasgava, encolerizava, enlouquecia? - ainda me rasga, encoleriza e enlouquece. Eu ainda sinto em meus nervos os choques, e quando você passa a vontade me faz estremecer.
É, eu te amo tanto que com você eu esquecia gramática, literatura, fotografia, imagem, sons, cheiros e gostos de tudo que não seja você.
Eu ficava absurdamente desconectado.
Mas recentemente algo mudou.
De repente, você deixou de ser o centro do meu universo. Deixei de viver em função de você. Você passou de tudo para parte de tudo, de unanimidade para maioria.
E, pra ser sincero, isso é bom.
É bom porque eu não sou só uma metade esperando ser completa, sou inteiro e independente, e não vou morrer porque você não me ama mais.
Eu não quero desistir de você, é possível que eu nem possa mais. Só que, agora, essa não é minha obsessão.
Você ainda me corrói e eu ainda deixaria qualquer uma por você. Só não vou deixar de viver por isso. Já consigo mudar de assunto.
Só falta avisar meus textos.

Sexta-feira, 9 de Maio de 2008

A morte da esperança

Por detrás dos cabelos cor de ébano desprende-se um grito desesperado, a última carta de uma mão perdida.
Um grito sem som, sufocado entre lágrimas e lábios vermelhos.

Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

Só faz sentido em sua direção

-Mas... não faz sentido.
-O quê?
-Se você gosta tanto dela, por que a deixou ir?
-Porque eu sou um idiota, é claro.
-Ah, é verdade.

Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

Mergulho

Abre os braços e se solta.

Fica perdido no ar

Junta os braços e as pernas, fica tenso, seus músculos enrijecem

C
A
I

Olha uma última vez para baixo antes de fechar os olhos pra sempre.

Terça-feira, 6 de Maio de 2008

Sonhar

Âncora, remem, marujos! O navio pelo gelo silenciosamente desliza.
Abre asas, alça vôo! Os pássaros e as ondas lambem os cobertores.
O mergulho descobre as verdades obscuras (das profundezas mais inquietantes do abismo).
O silêncio é a parede do reflexo.
O sonho é um filme mudo em technicolor.

Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

A JUSTIÇA É CEGA

(e surda, muda, amputada, paralítica...)

O SOMBRIO ESPETÁCULO

O nosso clamor quer mostrar as coisas como são (ou parecem [ou tentam] ser)!

DA MORBIDEZ HUMANA

O que nos comove é fazer-nos ouvir além dos motores do mundo!

MÓRBIDO ESPETÁCULO

O que nos move é o poder de como ver (comover)!

SOMBRIA HUMANIDADE

E como são (e como vêem em comoção) e quando estão

ESPETÁCULO HUMANO

e se ligam de onde vêm e pr'onde vão e estão e serão e viajarão e futuramente talvez

MORBIDEZ SOMBRIA

Nosso clamor é para que sempre soemos

ASSIM!

Terça-feira, 29 de Abril de 2008

Alzheimer

Milhões de histórias (num livro encharcado).

Domingo, 27 de Abril de 2008

Quiromancia

Lia mãos.
Um dia leu a de um cara sem dois dedos.
Morreu de curiosidade pra saber o final da história.

Quinta-feira, 24 de Abril de 2008

Chuva

A chuva se derramava, solene, resvalava na janela e o fazia pensar no absurdo clichê de se estar triste e ver o tempo mudar.
Mas, de repente (um repente muito calmo e sossegado), sentiu-se como a chuva que caía: só um passageiro perdido, em seu caminho direto, sem culpas nem explicações.

Domingo, 20 de Abril de 2008

Refrão

Ela saiu pra nunca mais voltar.

Se a história da minha vida fosse uma música, pensou ele, amargurado, esse seria o refrão.

Terça-feira, 15 de Abril de 2008

Conto de Fadas

Sentia-se num conto de fadas; mas fazia o papel de Lobo Mau, e todo o mundo sabe como o Lobo Mau acaba.

Mal.

Segunda-feira, 14 de Abril de 2008

Conto Internacional

No apartamento brasileiro de um traficante colombiano, a polícia argentina encontrou, morta, uma inglesa.

Quinta-feira, 10 de Abril de 2008

Menina

A noiva da infância, vestida de vestido e de eternos olhos saltexcitantes.

Segunda-feira, 7 de Abril de 2008

Corrente

Quero dizer o quanto te quero dizer que te quero esquecer que te quero ter que te esquecer que tenho que esquecer que quero te ter e entreter e reter e te ter e ter e ter e ter e pra sempre esquecer que um dia te tive e lembrar que agora pra sempre queria te ter.

Domingo, 6 de Abril de 2008

Declaração

Gosto de você, disse ele.
Só não continue sapateando no meu gostar.

Segunda-feira, 31 de Março de 2008

Esboço de Si Mesmo

O grito que ele queria derramar sobre o mundo e todas suas pessoas era este:

Desculpe por ter sido um idiota!

Sinto muito por ter sido um esboço de mim mesmo por tanto tempo.

Domingo, 30 de Março de 2008

Ocasos por acaso

Passando pelo meio das ruas, do metrô e dos ônibus; olhando, fitando, procurando o desconhecido em cada traço, linha e sombra.
Quantas vezes o nosso destino de viajante de todo dia não é passear por entre a multidão e surpreender-se com a imensidão de desconhecidos? No entanto, em outras, acaba-se deparando com o conhecido, de muito tempo ou de semana passada; de long time no see ou classmate. E é estranho, confuso e agradável. A estranheza é deparar-se com um rosto familiar entre os milhares de rostos. Depois do momento de confusão (que pode estender-se longamente caso a memória nos traia), é agradável perceber que, afinal de contas, "não estamos sós".
Talvez o acaso seja somente uma invenção dos seres humanos que queiram negar um ser superior (ou inferior, por que não?) "puxando as cordinhas". Mas os acasos... Eles existem, e acontecem o tempo todo à nossa volta.
Já aconteceu com você?