Eu sinto falta pra caralho!
E não sei quem é mais egoísta, eu ou você.
(esse blog está em algo entre um recesso e um coma.)
E viva o esca(l)pismo!
E não sei quem é mais egoísta, eu ou você.
(esse blog está em algo entre um recesso e um coma.)
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Gabriel Ribeiro
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15:15
Reflita:
O reflexo é o dobro ao contrário
o contrário é o dobro do reflexo
Reflita.
REFLITAO OK oneone!
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Gabriel Ribeiro
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00:01
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Já fazia mais de dois anos que não passava pelo lugar onde nos despedimos pela primeira e última vez. Quando o revi, percebi que as memórias que julgava ter enterrado fundo e a salvo de qualquer saudade ainda estavam frescas, muito frescas, e lembrei de todos os gostos e sensações como se as vivesse novamente.
Mas a melancolia fria das paredes da estação de metrô me alcançou, e as lembranças me atravessaram como lanças de aço gelado, e de repente estava de novo nos dias seguintes à tristeza absoluta, frágil e desconsolado.
E percebi que não tinha, de jeito nenhum, conseguido transformar o passado em passado.
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Gabriel Ribeiro
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20:17
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Nem as portas do shopping abriam pra ele.
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15:55
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Quando alguma coisa é pública, a privada é bem mais suja.
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19:36
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Todos os exércitos são de homens sós.
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17:29
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"Nos anos 50 era tão mais fácil, mas tão mais lento", ele pensa.
Engole a seco apesar de ter acabado de tomar um drinque (só para encorajar) e pensa em mil maneiras de fazer o que está tão ansioso por fazer e que nunca fez e rápido, pare de pensar ou vai acabar desistindo.
Vira em sua direção, volta, bebe mais um gole e respira fundo (tão ansioso se encontra que nem percebe que o drinque é horrível). Olha pra ela de lado - ela está saindo de perto do balcão; já pegou sua própria bebida.
Sem pensar, atônito por percebê-la se afastando, ele sutilmente a aborda.
"'cença, que bebida é essa?"
É, ninguém disse que nosso herói é um gênio na arte da aproximação.
Mas, por Deus, ela responde gentilmente com o nome, e o oferece! Será que está bêbada, tão cedo?
"Hum, é mesmo bom. O que eu peguei é horrível" (era verdade, claro, mas ele falou só por falar) "Eu conheço esse gosto, que fruta é essa?"
Ela se impressiona com a idiotice do comentário e à ausência de paladar do nosso pobre personagem, falho em reconhecer o gosto de uva (vinho).
Mas, por alguma sorte impressionante, hoje é o dia do nosso herói! Ela desconta a evidente falta de tato dele, ignora sua pouca idade e com ele conversa até o fim da noite.
Encantado por alguém assim tão especial, nosso miserável representado esquece-se de tudo, por maravilhosas horas.
No fim da noite, desmancha-se em despedidas e ausências, e, exceto pelas lembranças, espalha-se em sofrimento.
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Gabriel Ribeiro
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19:00
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Eu te amei por tanto tempo que achei que não podia mais queimar.
Aquela paixão - lembra, aquela que rasgava, encolerizava, enlouquecia? - ainda me rasga, encoleriza e enlouquece. Eu ainda sinto em meus nervos os choques, e quando você passa a vontade me faz estremecer.
É, eu te amo tanto que com você eu esquecia gramática, literatura, fotografia, imagem, sons, cheiros e gostos de tudo que não seja você.
Eu ficava absurdamente desconectado.
Mas recentemente algo mudou.
De repente, você deixou de ser o centro do meu universo. Deixei de viver em função de você. Você passou de tudo para parte de tudo, de unanimidade para maioria.
E, pra ser sincero, isso é bom.
É bom porque eu não sou só uma metade esperando ser completa, sou inteiro e independente, e não vou morrer porque você não me ama mais.
Eu não quero desistir de você, é possível que eu nem possa mais. Só que, agora, essa não é minha obsessão.
Você ainda me corrói e eu ainda deixaria qualquer uma por você. Só não vou deixar de viver por isso. Já consigo mudar de assunto.
Só falta avisar meus textos.
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Gabriel Ribeiro
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00:06
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Por detrás dos cabelos cor de ébano desprende-se um grito desesperado, a última carta de uma mão perdida.
Um grito sem som, sufocado entre lágrimas e lábios vermelhos.
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Gabriel Ribeiro
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15:44
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-Mas... não faz sentido.
-O quê?
-Se você gosta tanto dela, por que a deixou ir?
-Porque eu sou um idiota, é claro.
-Ah, é verdade.
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Gabriel Ribeiro
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21:25
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Abre os braços e se solta.
Fica perdido no ar
Junta os braços e as pernas, fica tenso, seus músculos enrijecem
C
A
I
Olha uma última vez para baixo antes de fechar os olhos pra sempre.
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Gabriel Ribeiro
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14:30
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Âncora, remem, marujos! O navio pelo gelo silenciosamente desliza.
Abre asas, alça vôo! Os pássaros e as ondas lambem os cobertores.
O mergulho descobre as verdades obscuras (das profundezas mais inquietantes do abismo).
O silêncio é a parede do reflexo.
O sonho é um filme mudo em technicolor.
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Gabriel Ribeiro
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21:01
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(e surda, muda, amputada, paralítica...)
O SOMBRIO ESPETÁCULO
O nosso clamor quer mostrar as coisas como são (ou parecem [ou tentam] ser)!
DA MORBIDEZ HUMANA
O que nos comove é fazer-nos ouvir além dos motores do mundo!
MÓRBIDO ESPETÁCULO
O que nos move é o poder de como ver (comover)!
SOMBRIA HUMANIDADE
E como são (e como vêem em comoção) e quando estão
ESPETÁCULO HUMANO
e se ligam de onde vêm e pr'onde vão e estão e serão e viajarão e futuramente talvez
MORBIDEZ SOMBRIA
Nosso clamor é para que sempre soemos
ASSIM!
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17:00
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Milhões de histórias (num livro encharcado).
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17:19
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Lia mãos.
Um dia leu a de um cara sem dois dedos.
Morreu de curiosidade pra saber o final da história.
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20:28
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A chuva se derramava, solene, resvalava na janela e o fazia pensar no absurdo clichê de se estar triste e ver o tempo mudar.
Mas, de repente (um repente muito calmo e sossegado), sentiu-se como a chuva que caía: só um passageiro perdido, em seu caminho direto, sem culpas nem explicações.
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Gabriel Ribeiro
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20:13
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Ela saiu pra nunca mais voltar.
Se a história da minha vida fosse uma música, pensou ele, amargurado, esse seria o refrão.
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20:31
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Sentia-se num conto de fadas; mas fazia o papel de Lobo Mau, e todo o mundo sabe como o Lobo Mau acaba.
Mal.
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21:48
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No apartamento brasileiro de um traficante colombiano, a polícia argentina encontrou, morta, uma inglesa.
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A noiva da infância, vestida de vestido e de eternos olhos saltexcitantes.
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17:16
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Quero dizer o quanto te quero dizer que te quero esquecer que te quero ter que te esquecer que tenho que esquecer que quero te ter e entreter e reter e te ter e ter e ter e ter e pra sempre esquecer que um dia te tive e lembrar que agora pra sempre queria te ter.
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20:36
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Gosto de você, disse ele.
Só não continue sapateando no meu gostar.
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10:42
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O grito que ele queria derramar sobre o mundo e todas suas pessoas era este:
Desculpe por ter sido um idiota!
Sinto muito por ter sido um esboço de mim mesmo por tanto tempo.
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Gabriel Ribeiro
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17:25
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Passando pelo meio das ruas, do metrô e dos ônibus; olhando, fitando, procurando o desconhecido em cada traço, linha e sombra.
Quantas vezes o nosso destino de viajante de todo dia não é passear por entre a multidão e surpreender-se com a imensidão de desconhecidos? No entanto, em outras, acaba-se deparando com o conhecido, de muito tempo ou de semana passada; de long time no see ou classmate. E é estranho, confuso e agradável. A estranheza é deparar-se com um rosto familiar entre os milhares de rostos. Depois do momento de confusão (que pode estender-se longamente caso a memória nos traia), é agradável perceber que, afinal de contas, "não estamos sós".
Talvez o acaso seja somente uma invenção dos seres humanos que queiram negar um ser superior (ou inferior, por que não?) "puxando as cordinhas". Mas os acasos... Eles existem, e acontecem o tempo todo à nossa volta.
Já aconteceu com você?
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Gabriel Ribeiro
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22:21
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